O CAMINHO PARA UM NOVO PARADIGMA COLECTIVO

Vivemos de facto um período muito conturbado, que está a afectar toda a humanidade, e que traz consigo grandes mudanças político-sociais, bem como do próprio ambiente e clima. A reacção maioritária das populações diante de situações potencialmente perigosas e/ou dolorosas, como a desta comprovada falsa pandemia, tem sido adaptar-se o mais suavemente possível ao que está a acontecer, opondo um mínimo de resistência emocional aos eventos “naturais”.

Derivando com a maré da mudança para uma nova normalidade, e a bem da segurança e conforto, as populações ingenuamente acreditam que voltará a haver condições favoráveis de liberdade e dignidade. No entanto, ao longo dos últimos vinte anos, a nossa civilização aceitou oficialmente e implementou fortemente, através de uma diversidade de instituições sociais e governamentais, a narrativa do medo, do terror, e do controlo através da violência, da guerra e da vigilância perpetuada pelos principais meios de comunicação social controlados pelas elites políticas e capitalistas.

Infelizmente, a intensidade e exclusivismo dessa implementação pode ter resultado agora numa situação mundial potencialmente catastrófica e, como seria de esperar, começou já a vir ao de cima uma forte reacção contra esta tendência oficial profundamente implantada. O efeito é qualificado como uma “revolução de consciência” – o tão aguardado “despertar da humanidade”. Esta “revolução de consciência” está a conduzir-nos a uma luta ideológica existencial planetária muito mais profunda do que se imagina. Em muitas pessoas, ela manifesta-se, também, como um estado de intensa confusão mental e espiritual que se reflecte sobre todos os campos de actividade e consciência humanas. Logicamente, quanto maior for o investimento psicológico das pessoas para tentarem manter as condições exactamente iguais ao que eram, mais sofrerão.

Este período, que representa uma fase de mudanças em massa originada por forças sociais generalizadas, no qual o estágio humano de evolução planetária foi alcançado é, efectivamente, uma oportunidade para reestruturarmos consciente e criativamente o nosso modo de vida individual e colectivo, sem perdermos de vista os valores espirituais, pois só assim conseguiremos assumir o controlo do processo para um novo paradigma colectivo de encontro à consciência suprema.

Deveremos, pois, enfrentar a actual situação mundial – bem como as situações pessoais nas quais os elementos de conflito, de impaciência, e de frustração se fazem presentes – com profunda compreensão, uma incessante procura de significado e uma repolarização da nossa capacidade de acção e vontade mobilizadora colectiva. E nada em si mesmo terá significado, a não ser quando visto em relação com alguma outra coisa e, particularmente, em relação com o seu oposto.

Realmente, há um outro mundo para além da mente dualista do pensamento excessivo, um mundo de luz para o qual o comum dos mortais não está ainda desperto, é o caminho para um novo paradigma do ser, para o qual é necessário uma grande dose de coragem, esforço, preparação e tempo, de modo a explorar o novo, bem como a largar o velho – aquele que já não serve o propósito de vida.

O ego e as suas máscaras, e os padrões repetitivos que nos limitam, são estruturas biológicas condicionadas, e é possível libertar-nos dessa(s) vida(s) que foi/foram herdada(s) do passado para vivermos o aqui e agora através do nosso mundo interior, através da nossa autoconsciência. É o despertar do sonho da personagem no jogo da vida. Uma vez despertos, a consciência brilha através da máscara, através da personalidade, sem no entanto nos identificarmos com a mesma. Mas, despertar não se trata de nos livrarmos da mente ou da realidade da matriz, pelo contrário, é aceitar e compreender que, quando não nos identificarmos mais com elas, então teremos a possibilidade de experimentar o jogo da vida plenamente em liberdade, sem desejos ou medos, expectativas ou prisões.